Josef Perjell – O único judeu nazista à face da Terra


Josef Perjell é conhecido como o único Judeu nazista à face da terra. Ele terá mesmo chorado quando os nazis perderam a guerra. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, acabou também a sua convicção de que a Raça ariana era superior e de que a Alemanha dominaria a Europa.

Esta é uma história difícil de acreditar, especialmente por se tratar de um jovem adolescente Judeu. Mais difícil se torna quando sabemos que o verdadeiro nome deste Judeu era Solomon Perel, e que a última vez que viu os seus pais vivos foi no gueto Judeu de Lodz, na Polónia.

Foi nesse dia que o jovem saiu a correr levando para sempre na memória as últimas palavras da mãe: “tens de sobreviver”.

Foi exactamente isso que, este agora idoso, fez. Hoje ele é capaz de perceber que o facto de se ter juntado à juventude Hitlerista foi, na verdade, um Mecanismo de defesa.

A história de Salomon Perel

A família vivia na Alemanha, mas resolveram mudar para a Polónia. Este talvez tenha sido o maior erro da família Perel.

Solomon e o seu irmão mais velho conseguiram escapar para o Leste, indo em direcção à União Soviética. Quando chegavam perto de Minsk, foram apanhados no meio de uma perseguição terrível. Os nazis alinharam todos os fugitivos, identificaram-nos e depois, com um tiro, mandados para a vala comum. Quando um dos oficiais perguntou a Solomon se ele era um judeu, rapidamente disse que não, mas com uma convicção que levou todos a acreditarem, e foi exactamente isso que o salvou.

Heróis de Varsóvia

Foi levado para a Alemanha e aí frequentou a escola de Brunswick. Era nessas salas de aulas que se formava a juventude Hitlerista. Salomon não escapou à lavagem cerebral que se fazia naquele local e chegou a acreditar em todas as palavras que eram proferidas.

De tanto acreditar na superioridade da raça alemã e na seleção das espécies, ele chegava mesmo a sentir vergonha das origens judias.

Na época, ele acreditava que o mundo era dos mais fortes e que os mais fracos deviam morrer. Já fazia parte deles, e considerava-se como eles.

Quando terminou a Segunda Guerra Mundial passou ainda 2 anos na Alemanha, tendo emigrado para Israel em 1948, local onde mora até aos dias de hoje. A sua história foi escondida durante 40 anos, inclusive para os seus filhos e para a sua mulher. Quando foi operado ao coração, resolveu contar a sua história e a recepção dos seus não poderia ter sido melhor. Todos compreenderam o que se tinha passado.

Hoje ele diz estar preocupado com os sinais que se vão vendo, tanto na Europa, como no resto do mundo. As semelhanças com o que aconteceu na época nazista são grandes. O aumento do populismo vem confirmar os seus medos. Ele ainda aponta para o facto de que, na época, a grande parte das pessoas nunca imaginou que Hitler, conhecido como um homem excêntrico, chegaria ao poder. Diziam que ele era louco, assim como alguns dos líderes de extrema-direita que hoje se espalham pelo mundo.

Para este judeu, agora consciente de todo o mal que os Nazistas fizeram, a única forma de combater o fascismo não é apostar em partidos de centro, mas num compromisso sério das esquerdas, onde a violência não tem lugar.